
A criação da Universidade Federal do Xingu (UFX) deu mais um passo importante no Congresso Nacional e já tramita na Câmara dos Deputados. A proposta prevê a criação de uma nova instituição federal de ensino superior a partir do desmembramento da Universidade Federal do Pará (UFPA), com sede em Altamira, no sudoeste paraense.
O projeto teve origem no Senado, por meio do PLS 359/2017, apresentado pelo então senador Paulo Rocha (PT-PA). Após ser aprovado pela Comissão de Educação e Cultura do Senado, em decisão terminativa, o texto foi encaminhado à Câmara dos Deputados, onde passou a tramitar como PL 3262/2026.
Na Câmara, o projeto recebeu requerimento de urgência apresentado pelo deputado Airton Faleiro (PT-PA), aprovado pelo Plenário em agosto de 2026. Atualmente, a proposta está em regime de urgência e aguarda os próximos passos para apreciação pelos deputados.
A proposta estabelece que a futura Universidade Federal do Xingu terá como finalidade oferecer ensino superior, desenvolver pesquisas e promover ações de extensão, com atuação voltada às características e necessidades da região.
A ideia é que a instituição tenha uma atuação multicampi e alcance municípios localizados ao longo dos principais eixos rodoviários e fluviais do oeste e sudoeste do Pará.
Entre as cidades previstas no projeto estão Altamira, Anapu, Aveiro, Brasil Novo, Gurupá, Itaituba, Jacareacanga, Medicilândia, Novo Progresso, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu.
Segundo a proposta, a área de abrangência reúne aproximadamente 430 mil habitantes distribuídos em um território de cerca de 260 mil quilômetros quadrados.
A criação da universidade, portanto, não teria impacto apenas sobre Altamira. A intenção é estabelecer uma instituição com alcance regional, voltada para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas às características econômicas, sociais, ambientais e culturais do território.
O projeto prevê que a sede e o foro da Universidade Federal do Xingu sejam instalados em Altamira.
A escolha do município está relacionada à estrutura universitária que já existe na cidade por meio do campus da UFPA. Pelo texto aprovado no Senado, a nova instituição seria formada a partir do desmembramento dessa estrutura.
O projeto prevê que a UFX seja vinculada ao Ministério da Educação e tenha autonomia para desenvolver suas atividades acadêmicas dentro das normas estabelecidas pela legislação federal.
Na prática, a proposta busca transformar a estrutura atualmente vinculada à UFPA em uma universidade própria, com identidade institucional voltada especificamente para as demandas do Xingu e das regiões atendidas.
Um dos principais argumentos apresentados durante a tramitação é a dimensão territorial do Pará e as dificuldades enfrentadas por estudantes que vivem longe dos grandes centros urbanos.
A região de abrangência da futura universidade possui comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas espalhadas por grandes distâncias. Para muitos estudantes, o acesso ao ensino superior público envolve deslocamentos longos, custos de transporte e, em alguns casos, a necessidade de mudança para outras cidades.
A proposta apresentada no Senado destaca justamente a necessidade de ampliar as oportunidades de formação superior considerando as características econômicas, culturais e sociais de cada região.
A expectativa defendida pelos parlamentares favoráveis ao projeto é que uma universidade com presença regional possa contribuir para a formação de profissionais que conheçam as particularidades do território e possam atuar nas próprias comunidades.
Além da graduação, a proposta estabelece que a futura universidade deverá atuar em pesquisa e extensão.
Isso significa que a instituição não seria voltada apenas para a formação acadêmica tradicional. A intenção é desenvolver estudos e projetos relacionados às necessidades da região e estabelecer uma relação mais próxima entre universidade e sociedade.
Entre os possíveis campos de atuação estão pesquisas relacionadas ao meio ambiente, produção rural, desenvolvimento regional, saúde, educação, tecnologia, recursos naturais e outras áreas consideradas estratégicas para os municípios atendidos.
A definição dos cursos e das estruturas acadêmicas, entretanto, dependerá da implantação da universidade e dos atos administrativos posteriores à eventual aprovação definitiva da proposta.
Um dos pontos centrais da proposta é o modelo de criação da nova universidade.
Em vez de construir uma instituição completamente nova, o projeto prevê o desmembramento do campus da UFPA em Altamira para dar origem à UFX.
A relatora da matéria no Senado, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), defendeu esse formato durante a análise do projeto. Segundo a argumentação apresentada, a universidade de origem poderá oferecer suporte durante o processo de implantação, facilitando uma transição planejada e reduzindo custos.
O relatório também citou como referência experiências anteriores de criação de universidades federais por meio do desmembramento de instituições já existentes.
Apesar de voltar ao centro das discussões em 2026, a proposta não é recente.
O PLS 359/2017 foi apresentado no Senado em setembro de 2017 pelo então senador Paulo Rocha. Ao longo dos anos, o texto passou por diferentes comissões e recebeu alterações.
Em 2026, após novas análises e modificações, a Comissão de Educação e Cultura aprovou o projeto em 9 de junho, juntamente com emendas apresentadas durante a tramitação. A decisão foi terminativa, e o prazo para recurso ao Plenário do Senado terminou sem apresentação de recurso. O texto foi então encaminhado à Câmara dos Deputados em 22 de junho.
Na Câmara, a proposta recebeu o número PL 3262/2026 e passou a tramitar em regime de urgência após a aprovação de requerimento apresentado pelo deputado Airton Faleiro.
Com o projeto na Câmara, os deputados ainda precisam analisar a proposta. A aprovação no Senado não significa que a Universidade Federal do Xingu já foi criada.
O texto ainda precisa avançar na Câmara dos Deputados e, caso seja aprovado, seguir as demais etapas do processo legislativo antes de se transformar em lei.
Portanto, neste momento, o que existe é uma proposta em tramitação para criar a instituição federal.
A ficha oficial da Câmara registra atualmente o PL 3262/2026 como projeto sujeito à apreciação do Plenário e em regime de urgência.
A eventual criação da Universidade Federal do Xingu poderá representar uma mudança na estrutura de ensino superior público da região, principalmente por ampliar a atuação institucional a partir de Altamira.
Para estudantes de municípios da Transamazônica, do Xingu e do Tapajós, uma universidade federal regionalizada pode significar maior proximidade com cursos, projetos de pesquisa e atividades de extensão.
Além disso, a formação de profissionais na própria região pode contribuir para a permanência de mão de obra qualificada nos municípios atendidos, especialmente em áreas consideradas importantes para o desenvolvimento regional.
A proposta também busca aproximar a produção científica das características locais, considerando a diversidade social, cultural, econômica e ambiental existente no território.
A criação da Universidade Federal do Xingu agora depende do andamento da proposta na Câmara dos Deputados.
Enquanto o projeto avança, a expectativa na região é pelo debate sobre a estrutura da futura instituição, os municípios que serão atendidos, os cursos que poderão ser ofertados, o aproveitamento da estrutura existente em Altamira e os recursos necessários para a implantação.
Por enquanto, a proposta representa mais uma etapa na longa discussão pela ampliação do ensino superior público na região do Xingu e da Transamazônica.