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Universidade Federal do Xingu avança no Congresso e pode ter sede em Altamira

Projeto prevê desmembramento do campus da UFPA em Altamira para criação de uma nova universidade federal

Por: Irla Farias Fonte: Agência Senado, Senado Federal e Câmara dos Deputados
02/10/2026 às 09h33
Universidade Federal do Xingu avança no Congresso e pode ter sede em Altamira
Foto: Reprodução

A criação da Universidade Federal do Xingu (UFX) deu mais um passo importante no Congresso Nacional e já tramita na Câmara dos Deputados. A proposta prevê a criação de uma nova instituição federal de ensino superior a partir do desmembramento da Universidade Federal do Pará (UFPA), com sede em Altamira, no sudoeste paraense.

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O projeto teve origem no Senado, por meio do PLS 359/2017, apresentado pelo então senador Paulo Rocha (PT-PA). Após ser aprovado pela Comissão de Educação e Cultura do Senado, em decisão terminativa, o texto foi encaminhado à Câmara dos Deputados, onde passou a tramitar como PL 3262/2026.

Na Câmara, o projeto recebeu requerimento de urgência apresentado pelo deputado Airton Faleiro (PT-PA), aprovado pelo Plenário em agosto de 2026. Atualmente, a proposta está em regime de urgência e aguarda os próximos passos para apreciação pelos deputados.

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Projeto pretende ampliar ensino superior na região

A proposta estabelece que a futura Universidade Federal do Xingu terá como finalidade oferecer ensino superior, desenvolver pesquisas e promover ações de extensão, com atuação voltada às características e necessidades da região.

A ideia é que a instituição tenha uma atuação multicampi e alcance municípios localizados ao longo dos principais eixos rodoviários e fluviais do oeste e sudoeste do Pará.

Entre as cidades previstas no projeto estão Altamira, Anapu, Aveiro, Brasil Novo, Gurupá, Itaituba, Jacareacanga, Medicilândia, Novo Progresso, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu.

Segundo a proposta, a área de abrangência reúne aproximadamente 430 mil habitantes distribuídos em um território de cerca de 260 mil quilômetros quadrados.

A criação da universidade, portanto, não teria impacto apenas sobre Altamira. A intenção é estabelecer uma instituição com alcance regional, voltada para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas às características econômicas, sociais, ambientais e culturais do território.

Altamira será a sede da nova instituição

O projeto prevê que a sede e o foro da Universidade Federal do Xingu sejam instalados em Altamira.

A escolha do município está relacionada à estrutura universitária que já existe na cidade por meio do campus da UFPA. Pelo texto aprovado no Senado, a nova instituição seria formada a partir do desmembramento dessa estrutura.

O projeto prevê que a UFX seja vinculada ao Ministério da Educação e tenha autonomia para desenvolver suas atividades acadêmicas dentro das normas estabelecidas pela legislação federal.

Na prática, a proposta busca transformar a estrutura atualmente vinculada à UFPA em uma universidade própria, com identidade institucional voltada especificamente para as demandas do Xingu e das regiões atendidas.

Região possui grandes distâncias e desafios de acesso

Um dos principais argumentos apresentados durante a tramitação é a dimensão territorial do Pará e as dificuldades enfrentadas por estudantes que vivem longe dos grandes centros urbanos.

A região de abrangência da futura universidade possui comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas espalhadas por grandes distâncias. Para muitos estudantes, o acesso ao ensino superior público envolve deslocamentos longos, custos de transporte e, em alguns casos, a necessidade de mudança para outras cidades.

A proposta apresentada no Senado destaca justamente a necessidade de ampliar as oportunidades de formação superior considerando as características econômicas, culturais e sociais de cada região.

A expectativa defendida pelos parlamentares favoráveis ao projeto é que uma universidade com presença regional possa contribuir para a formação de profissionais que conheçam as particularidades do território e possam atuar nas próprias comunidades.

Pesquisa e extensão também estão entre os objetivos

Além da graduação, a proposta estabelece que a futura universidade deverá atuar em pesquisa e extensão.

Isso significa que a instituição não seria voltada apenas para a formação acadêmica tradicional. A intenção é desenvolver estudos e projetos relacionados às necessidades da região e estabelecer uma relação mais próxima entre universidade e sociedade.

Entre os possíveis campos de atuação estão pesquisas relacionadas ao meio ambiente, produção rural, desenvolvimento regional, saúde, educação, tecnologia, recursos naturais e outras áreas consideradas estratégicas para os municípios atendidos.

A definição dos cursos e das estruturas acadêmicas, entretanto, dependerá da implantação da universidade e dos atos administrativos posteriores à eventual aprovação definitiva da proposta.

Desmembramento da UFPA está previsto no projeto

Um dos pontos centrais da proposta é o modelo de criação da nova universidade.

Em vez de construir uma instituição completamente nova, o projeto prevê o desmembramento do campus da UFPA em Altamira para dar origem à UFX.

A relatora da matéria no Senado, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), defendeu esse formato durante a análise do projeto. Segundo a argumentação apresentada, a universidade de origem poderá oferecer suporte durante o processo de implantação, facilitando uma transição planejada e reduzindo custos.

O relatório também citou como referência experiências anteriores de criação de universidades federais por meio do desmembramento de instituições já existentes.

Proposta existe desde 2017

Apesar de voltar ao centro das discussões em 2026, a proposta não é recente.

O PLS 359/2017 foi apresentado no Senado em setembro de 2017 pelo então senador Paulo Rocha. Ao longo dos anos, o texto passou por diferentes comissões e recebeu alterações.

Em 2026, após novas análises e modificações, a Comissão de Educação e Cultura aprovou o projeto em 9 de junho, juntamente com emendas apresentadas durante a tramitação. A decisão foi terminativa, e o prazo para recurso ao Plenário do Senado terminou sem apresentação de recurso. O texto foi então encaminhado à Câmara dos Deputados em 22 de junho.

Na Câmara, a proposta recebeu o número PL 3262/2026 e passou a tramitar em regime de urgência após a aprovação de requerimento apresentado pelo deputado Airton Faleiro.

O que acontece agora?

Com o projeto na Câmara, os deputados ainda precisam analisar a proposta. A aprovação no Senado não significa que a Universidade Federal do Xingu já foi criada.

O texto ainda precisa avançar na Câmara dos Deputados e, caso seja aprovado, seguir as demais etapas do processo legislativo antes de se transformar em lei.

Portanto, neste momento, o que existe é uma proposta em tramitação para criar a instituição federal.

A ficha oficial da Câmara registra atualmente o PL 3262/2026 como projeto sujeito à apreciação do Plenário e em regime de urgência.

Impacto esperado para estudantes da região

A eventual criação da Universidade Federal do Xingu poderá representar uma mudança na estrutura de ensino superior público da região, principalmente por ampliar a atuação institucional a partir de Altamira.

Para estudantes de municípios da Transamazônica, do Xingu e do Tapajós, uma universidade federal regionalizada pode significar maior proximidade com cursos, projetos de pesquisa e atividades de extensão.

Além disso, a formação de profissionais na própria região pode contribuir para a permanência de mão de obra qualificada nos municípios atendidos, especialmente em áreas consideradas importantes para o desenvolvimento regional.

A proposta também busca aproximar a produção científica das características locais, considerando a diversidade social, cultural, econômica e ambiental existente no território.

Próximos capítulos serão acompanhados na Câmara

A criação da Universidade Federal do Xingu agora depende do andamento da proposta na Câmara dos Deputados.

Enquanto o projeto avança, a expectativa na região é pelo debate sobre a estrutura da futura instituição, os municípios que serão atendidos, os cursos que poderão ser ofertados, o aproveitamento da estrutura existente em Altamira e os recursos necessários para a implantação.

Por enquanto, a proposta representa mais uma etapa na longa discussão pela ampliação do ensino superior público na região do Xingu e da Transamazônica.

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