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"O SBT é a escola do jornalismo em Altamira”, conta Odair Oliveira

"O SBT é a escola do jornalismo em Altamira”, conta Odair Oliveira

27/06/2019 19h04 Atualizada há 2 anos
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Por: confirmanoticia

Um apresentador sem papas na língua, apaixonado pela profissão e com muitas histórias no currículo. Esse é Odair Oliveira. O jornalista iniciou na área da comunicação há 30 anos na Vale do Xingu. E no mês que a emissora completa também três décadas de atividade, muitas histórias se cruzam. "O SBT é a escola do jornalismo em Altamira. É um ponto de referência", reconhece o profissional.

Foi no rádio que Odair começou a carreira. Ainda adolescente, em 1987, fazia participações no Jornal da Transamazônica com o locutor Cléo Soares. Em 1990 teve oportunidade de fazer o primeiro ao vivo em TV. Dele e da emissora. “Um dia teve convenção do partido e precisava de alguém para fazer o ao vivo. Nenhum locutor topou, tinha que entrevistar autoridades e eu fui”, relembra o jornalista.

Nessa época o jornal era semanal e tinha duração de duas horas. Muito diferente de como é realizado hoje, no processo e principalmente na estrutura. Apenas uma pessoa, no caso Odair, realizava todas as atividades. “Tínhamos todas as dificuldades de digitação, de ter um texto na mão, demorávamos às vezes três vezes mais, tinha que datilografar, às vezes sem monitor, assistia na própria câmera. Eu era repórter, chefe de redação, editor e apresentador”, conta.

A primeira reportagem para o jornal foi sobre uma fila imensa que se formava no cartório da cidade. “Tinham 10 senhas somente e, para pegar, as pessoas dormiam, armavam barraca. Fizemos umas três denúncias e pelo nosso trabalho, com nossa insistência, deram solução”.

Odair em entrevista a dupla Milionário e Zé Rico em 1997 ( Foto: reprodução facebook)

Entre os anos de 2001 a 2004, Odair conta que viveu um jornalismo mais tranquilo, mas com as mudanças políticas passaram a vir as reportagens de denúncia e, junto com elas, as ameaças e toda pressão da profissão. “Foi ali que eu tive certeza que era comunicação mesmo que eu queria”.

Estilo profissional

Apontado por muitos como sensacionalista, Odair acredita que fala o que o povo quer ouvir, de maneira simples e direta. "Tem que ter qualidade. Não existe estilo certo, existe o correto, o ético, mas você pode inovar", pontua. Ele conta ainda que foi o primeiro na cidade a sair da bancada e apresentar em pé. “Sempre busquei meu estilo, me inspirava no Datena, aí surgiu meu ´Varinha neles´, e pegou”.

Tanta polêmica rendeu até processo judicial. “Já entraram judicialmente contra mim, alguns ainda rolam, mas eu nunca entrei contra ninguém”, explica ele falando sobre situações que também poderia ter procurado a justiça.

Casos marcantes

Entre os casos mais marcantes que noticiou, está o dos emasculados – onze garotos mortos com requintes de crueldade e outros cinco desaparecidos em circunstâncias suspeitas. As vítimas eram dezenove meninos pobres, com idades entre 8 e 14 anos. Desses, cinco corpos nunca foram encontrados, três sobreviveram, mas foram mutilados, e 11 foram assassinados e castrados. “Aquilo ficava na cabeça da gente, cada vítima morta encontrada era terrível”, conta Odair.

Outro caso que marcou o jornalista e todo país, foi o assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005. Ela era a maior liderança do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, atraindo a inimizade de fazendeiros da região que se diziam proprietários das terras que seriam utilizadas no projeto. “Foi quando eu abri minha mente pro jornalismo de verdade. Fizemos entradas ao lado de grandes profissionais da mídia nacional”, recorda.

Ele destaca, ainda, o caso Buchinger. Bandidos invadiram a casa dos empresários Luiz Alves e Irma Buchinger em 2016. Na ocasião, estavam na residência os filhos Ambrósio Neto, Henrique e Chiara. Ambrósio foi morto junto com os pais durante a invasão. Um inquérito policial culminou na prisão de Henrique.

As fases de discussão e implantação da Usina Hidrelétrica Belo Monte também foram coberturas marcantes para Odair e para Altamira. Odair também fala da transformação de uma cidade pacata para um município que já foi considerado o mais violento do país. “Foram muitas mudanças, antes era o ladrão de bicicleta, no carnaval os bêbados, não tinha homicídio, a matéria destaque era implantação de semáforo. Vi Altamira mudar muito nesses anos”, relata.

“Há 30 anos eu abracei o jornalismo, e abracei aqui ”, Odair Oliveira.

Diversão

Desde o início, há 30 anos, Odair lembra da Vale do Xingu pelo clima descontraído dos bastidores. O slogan “Tô na Vale, tô feliz”, sempre fez sentido para ele. “Na hora que era sério a galera trabalhava, pegava pesado, mas tínhamos ótimos momentos, tudo era alegria”.

O jornalismo da Vale no início tinha apenas uma Kombi e a equipe passou alguns apuros. “Teve um dia que a Kombi amanheceu na frente da Câmara Municipal (há duas quadras do prédio da emissora), ninguém sabe como ela foi parar lá, se alguém empurrou. Ficou todo mundo desesperado procurando”. O veículo servia até de apoio para a Polícia Militar. “Nessa época a PM só tinha uma viatura e quando acontecia algo nós dávamos apoio, ia todo mundo dentro da kombi na perseguição”, relata rindo. “Há 30 anos eu abracei o jornalismo, e abracei aqui”.

(Mayara Freire)

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