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Direitos Humanos Mulheres Trans

Com 56 anos, Claudia conta como superou a expectativa de vida imposta às mulheres trans no país

Em 2020, 175 mulheres trans foram assassinadas no Brasil. O número representa um aumento de 41% em relação ao ano anterior, quando 124 pessoas trans foram mortas

24/06/2021 15h07 Atualizada há 4 meses
Por: confirmanoticia Fonte: Mayara Freire
Aos 56 anos, Claudia Assumpção é uma mulher transexual que superou a baixa expectativa de vida dada a esse grupo no país (35 anos)
Aos 56 anos, Claudia Assumpção é uma mulher transexual que superou a baixa expectativa de vida dada a esse grupo no país (35 anos)

Logo que eu chego na sala ela me explica porque quis tudo colorido. “Primeiro que tinha que ser um ambiente alegre, muitas mulheres chegam aqui em um momento difícil e essa sala precisava representar vida”, conta Claudia. 

Ela também me contou as diferenças das cores de representatividade. “A azul e rosa representa homens e mulheres trans, aquela com tons de rosa e branco as mulheres lésbicas e o arco-íris representa todo mundo”.

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Aos 56 anos, Claudia Assumpção é uma mulher transexual que superou a baixa expectativa de vida dada a esse grupo no país (35 anos). Hoje ela trabalha com políticas públicas voltado ao público LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais, e mais) e se considera uma pessoas realizada. “Eu superei todas as expectativas, minhas e das pessoas, hoje posso dizer que tenho tudo que sempre quis, sou realizada profissionalmente, trabalho com política pública, dou palestras, me casei, fiz tudo que sempre quis”, conta. 

Mas a jornada nem sempre foi de realizações. Ela conta que chegou a ser internada para tratar o que achavam ser uma doença. “Desde muito pequena eu me via como mulher, meus pais me internaram porque achavam que podiam me curar, mas graças a Deus perceberam que eu não tinha nenhum problema e os médicos viram que meu cérebro era feminino e então eu tive alta”, relembra.  

Em 2020, 175 mulheres trans foram assassinadas no Brasil. O número representa um aumento de 41% em relação ao ano anterior, quando 124 pessoas trans foram mortas. O dado é apresentado no dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

Para fugir da estatística, Claudia enfrentou muita coisa. Assim como para muitas trans, a prostituição foi a primeira porta que se abriu quando era jovem e não correspondia as expectativas da sociedade. “Naquela época não tinha trans, travestis trabalhando no comércio, em escritório. Se hoje é pouco você imagina há 30 anos. Então era muitas vezes a única profissão possível”, relata. 

Na prostituição foram altos e baixos.  “Dava pra ganhar muito dinheiro naquela época, era fácil se perder. Fiquei pouco tempo e vivi situações perigosas como uma vez que fiquei refém na fronteira com o Paraguai. Um cliente me levou e fiquei com 15 homens armados, mas eles não fizeram nada e me mandaram embora ou eu morreria. Eu fui embora de táxi, com medo de pegar um ônibus e alguém me reconhecer”, detalha. 

Infelizmente, apesar das décadas que separam o sequestro do momento atual, a falta de dados ainda é uma dificuldade da implementação de políticas públicas de combate à violência.

Sem um regimento aplicável a todos os estados, cada governador decide por si a execução de políticas, o que reafirma a posição do Brasil como o país que mais mata travestis e transexuais do mundo. “Essas mulheres ficam muitos expostas, elas sabem que saem, mas não sabem se voltam, por isso precisamos dar oportunidades, elas precisam ter opções que não sejam a de se prostituir para viver”. 

Muitas vezes, a única alternativa que essas mulheres encontram, é a denúncia. Com os registros, talvez seja possível pressionar mais os governos para investir em políticas. “Eu sempre digo da importância de denunciar. Vá até o fim, não deixe cair na impunidade ou no esquecimento. Denuncie qualquer tipo de violência. Se você for ameaçada, denuncie de novo. Mas é preciso ir buscar seu direito, para sentir que você também tem direito, nem mais, nem menos, igual. Vá, seja vista e lembrada”.

 

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