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Pará Ritual

Polícia Civil indicia nove pessoas pelo crime de maus-tratos contra 5 crianças em Bragança

Policiais resgataram as crianças durante suposto ritual religioso para acabar com a pandemia, em 17 de abril. Indiciados responderão em liberdade.

29/04/2021 19h12
Por: confirmanoticia Fonte: Com informações G1
Foto: divulgação
Foto: divulgação

A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (27) que concluiu o inquérito e indiciou nove pessoas pelo crime de maus-tratos contra cinco crianças em Bragança, nordeste do Pará. Elas foram resgatadas pela polícia, após participarem de ritual religioso na zona rural do município.

Crianças usadas em ritual religioso contra Covid-19 são resgatadas em Bragança; veja vídeo


Quando a polícia civil e o conselho tutelar chegaram ao local, através de denuncias de moradores da própria comunidade, as crianças estavam de jejum, aparentementes desnutridas e no sol.Os indiciados são familiares e amigos de parentes das crianças. Eles negam os maus-tratos e vão responder em liberdade. A polícia informou que não pode divulgar os nomes dos nove indiciados por cumprimento da Lei de Abuso de Autoridade, que proíbe a divulgação de identidades e imagens de investigados e suspeitos de crimes.

O caso

O caso foi registrado no dia 14 de abril. Crianças stariam sendo usadas por uma família para ritual religioso foram resgatadas na comunidade de Vila do Treme. 

De acordo com a conselheira tutelar que fez a denúncia à polícia, uma bebê de um ano e meio e mais duas crianças, de 8 e 10 anos, estavam há dois dias em situação vulnerável durante o ritual religioso realizado por parentes das crianças.

“Um bebê de um ano e dois meses estava recebendo um tratamento cruel e desumano no sol quente. A criança chorava muito. Tinha mais duas crianças na mesma situação, com sede, com fome, e os participantes do ritual não deixavam o Conselho Tutelar nem a Polícia Civil fazer a retirada dessas crianças que estavam sofrendo no sol, com falta de água e com fome”, conta a conselheira Rosa Quemel.

Segundo Quemel. As meninas relataram que, durante o ritual, era permitido que elas fizessem apenas uma refeição e bebessem água três vezes ao dia. Após o flagrante, equipes do Conselho Tutelar e da Polícia Civil voltaram ao local no dia 18, e constataram que havia outras crianças com indícios de maus-tratos. No dia 19, duas delas, de sete e 11 anos, foram levadas por um parente ao Conselho Tutelar. O pai delas prestou depoimento na delegacia.

De acordo com a conselheira, as cinco crianças resgatadas passaram por exame de corpo delito. O bebê foi entregue ao pai, que mora em Augusto Corrêa, município vizinho de Bragança. As crianças de 7 e 11 anos também estão sob a guarda do pai. Já as meninas de oito e 10 anos continuam no Conselho Tutelar.

Inquérito

Ao todo, foram 15 dias de investigação da Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Bragança, que ouviu depoimentos 27 pessoas, entre vítimas, testemunhas e suspeitos.

"O caso chocou a comunidade local, gerando repercussão nacional, devido à peculiaridade em que os fatos ocorreram. É importante que as pessoas entendam que a liberdade religiosa é defendida constitucionalmente, contudo, não se pode privar crianças de cuidados indispensáveis ao seu saudável desenvolvimento", explicou a delegada Luciana Tunes, que presidiu as investigações.

A polícia também fez análises das imagens gravadas no local. Os indiciados vão responder em liberdade.

Família nega maus-tratos

Uma mensagem que circulou nas redes sociais falava de um ritual para acabar com a Covid-19 e que duas crianças seriam sacrificadas. A Polícia Civil não confirmou essa informação. Uma familiar, que preferiu não se identificar e que estava no local quando tudo aconteceu, disse em entrevista ao G1 que houve uma interpretação errada dos fatos.

“Até agora, tudo o que vi foi manchar a imagem da minha família, que sempre foi muito católica, religiosa e entregue à fé. As crianças não estavam sendo maltratadas e ninguém nunca nos acusou disso. Se a gente fosse pessoas más, nós estaríamos onde? O que nos fizeram é uma injustiça. Nos tiraram quatro crianças naquele dia”, disse a parente das crianças.

Nos vídeos que circularam nas redes sociais, além do bebê de um ano que estava no colo de um homem enquanto ele reza, é possível ver uma menina presa em uma cruz. Segundo a Polícia Civil, cerca de 10 pessoas da mesma família estão sendo investigadas e devem prestar depoimento. Para os familiares, tudo não se trata de um mal-entendido e eles pedem justiça.

“Tudo começou com a calúnia, com a retirada das nossas crianças, e terminou com essa agressão e violência. Tudo o que pedimos é justiça, porque quem mais sofreu com tudo isso foram as crianças, que foram retiradas com violência, que sofreram com o medo da situação e com a distância da família. Mas temos fé que isso vai se resolver, pois quem teme a mentira é o demônio”, finaliza.

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