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Tecnologia Traição

Você rastrearia o celular do seu parceiro? Uso de aplicativos espiões cresceu 51% na pandemia

Psicóloga alerta que atitude pode refletir questões como insegurança e desencadear uma série de problemas

25/02/2021 05h58 Atualizada há 5 meses
Por: confirmanoticia Fonte: Mayara Freire
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Se você pudesse saber onde seu parceiro está usando um aplicativo, você instalaria a ferramenta? Muita gente respondeu a nossa equipe dizendo que sim, principalmente se houver desconfiança. Segundo dados do Laboratório de Ameaças da Avast , o uso dessas ferramentas, voltadas para parceiros rastrearem informações no celular, teve um aumento de 51% com a pandemia. 

Primeiro vale ressaltar que a prática é crime e invadir a privacidade alheia pode trazer consequências jurídicas. Mas e psicologicamente, o que a atitude reflete? Para a psicóloga Dayana Flores de Sousa existe um limite entre o comportamento saudável, que é o cuidado com quem se ama, sem interferir nas suas escolhas e ações, e o patológico. “Acontece principalmente uma mudança de comportamento, interrogatórios frequentes, um medo excessivo de perder o cônjuge, violação da privacidade e controle extremo sobre o outro, pensamentos infundados estão sempre presentes”, explica.

E foi exatamente isso que Soraia* experimentou. "Eu comecei a notar uma diferença muito grande no comportamento dele. Horas eu não existia para ele, horas ele era extremamente possesivo. Tinha hora que ele ficava com muito ciúmes", relembra a estudante sobre o ex-namorado. E foi essa mudança dele que gerou desconfiança, o famoso “quem não deve não teme”, ela, então, resolveu usar um aplicativo para rastrear o então companheiro. "Eu tinha a senha dele da conta da apple, ele não ligava de eu ter a senha, porque não era de rede social era a do e-mail e algumas que poderíamos, por exemplo, rastrear o aparelho caso algo acontecesse", conta.

Com o e-mail e a senha ela conseguia acompanhar onde ele estava e o tormento, como ela mesma define, começou. A primeira vez que achou que ele estava mentindo, ela ligou e ele disse que estava em casa, mas a localização mostrou um lugar diferente. Ela chegou a ir até o local, um prédio, e esperou ele sair, o que aconteceu só ao amanhecer. Mas, a estudante não teve coragem de confrontar e transformou o rastreamento em rotina, com o intuito de descobrir e entender as mentiras.  

“Isso virou um problema para mim, porque eu sabia que ele estava mentindo, mas eu não tomava atitude e todo dia ficava naquela loucura de ficar vigiando para saber onde ele estava o tempo todo. Enfim, não recomendo para ninguém porque me deixou doente, eu não pensava mais em mim, eu só ficava preocupada em saber onde ele estava e eu queria saber o motivo daquilo", relembra. 

Para Dayana, monitorar o parceiro por meio de um aplicativo espião é uma prova nítida de insegurança, “está relacionado também com questões de baixa autoestima, toda essa “paranoia” não permite que a pessoa veja os fatos com clareza, e por conta disso acaba se apropriando de pensamentos automáticos, com perguntas e respostas inquestionáveis, tais como: como ele(a) está? O que está fazendo? Onde está? De certa forma se este pensamento persistir, algumas comorbidades poderão ser desencadeadas, como a depressão, TOC- Transtorno Obsessivo Compulsivo, ansiedade generalizada, além de abusos de drogas lícitas e ilícitas”.

Invadir o espaço do companheiro nunca é uma boa alternativa, o melhor a se fazer é dialogar e então tomar a decisão de sair ou permanecer no relacionamento. “É importante ressaltar que todos os casais tem problemas no seu relacionamento, mas o que realmente interessa é a forma que esse casal lida com a resolução desses conflitos, por isso que quando identificar qualquer problema emocional que afeta o relacionamento, que está virando a famosa “bola de neve” causando prejuízos devastadores, procure um, psicólogo que é o profissional indicado para auxilia-los com a terapia”, indica a psicóloga. 

Por fim, Soraia deixa uma mensagem. "Não ajudou o relacionamento, não me ajudou. Depois namorei outra pessoa e eu prometi pra mim que isso não iria acontecer e eu realmente não fiz, mesmo que houvesse desconfiança eu perguntava e fim e foi muito mais saudável", reflete.

 

*Soraia é um nome fictício porque a entrevistada pediu para não ser identificada. 

 

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