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Conheça o casal que de operário virou dono de fábrica de chocolate

Família Preuss cultiva cacau em Brasil Novo e tem a terceira melhor amêndoa do país

13/06/2023 às 11h28 Atualizada em 13/06/2023 às 17h26
Por: Raiany Brito
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Foto: TV Vale do Xingu
Foto: TV Vale do Xingu

A terceira melhor amêndoa do país, o sítio referência para produtores de cacau espalhados pelo mundo, fica em Brasil Novo, região sudoeste do Pará. Um casal que recebe 50% a mais do preço do mercado pelo cuidado com a lavoura, essa é a história da família Preuss.

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De Santa Catarina, região sul do Brasil, dona Verônica veio com seu Renato, conhecer as terras adquiridas pelo sogro no final da década de 90. Os dois decidiram trocar a profissão de operários de uma fábrica para produzir no meio da Amazônia.

Hoje o Travessão da 20 tem cerca de 400 famílias. Mas nos anos 2000 o acesso à educação e a chegada da eletrificação rural foram pautas abraçadas e conquistadas pelo casal.

"A gente chegou aqui e só tinha o fundamental menor. Como eu e meu marido éramos formados, aí nos oferecemos como professores. Ele dava aula e dava aula para o fundamental maior.", afirma Verônica Preuss.

De 22 alunos para 220 até o ano em que decidiram sair da sala de aula para se dedicarem a propriedade rural: a família começou com a criação de bovinos, mas a virada de chave veio pouco tempo depois quando seu Renato plantou os primeiros pés de cacau.

A lavoura cacaueira foi usada para a recuperação de áreas degradadas.  As árvores nativas realizam o sombreamento, e o esterco do gado de leite, é fermentado e vira adubo na plantação. 

"Era pecuária, até na época era o meio de sustento que tinha porque o cacau não tinha preço. Então a partir de 2008 a gente percebeu que só o gado não dava sustentabilidade para a propriedade. Aí eu decidi plantar meus primeiros pés de cacau em 2009.", conta José Renato Preuss.

A busca pela certificação em um mercado que incentiva a sustentabilidade foi a primeira estratégia usada pelo casal que hoje comemora o retorno financeiro com uma amêndoa disputada pelos maiores fabricantes de chocolate de todo o mundo.

A família Preuss está entre os mais de 60% dos produtores de cacau que utilizam sistemas agroflorestais. A medida que reduz o desmatamento em território paraense. 

Na hora da colheita, a regra é tirar apenas os frutos maduros e sadios. E no Sítio o negócio é todo em família. Recentemente, o genro criou uma máquina para retirar as sementes dos frutos.  

Acompanhar o processo do chocolate fino exige habilidade e conhecimento técnico. Para se ter uma ideia, nos cochos de fermentação, existem várias reações bioquímicas, as sementes ficam por até sete dias e é necessário monitorar a temperatura. 

"Esse embrião está morto, a gente chama da sangria do cacau, que é essa cor roxa que ele tem em volta da semente. É o momento em que ela não é mais semente, e sim uma amêndoa."

Já na barcaça, as amêndoas ficam entre 12 e 15 dias.  Uma peneira foi desenvolvida pelo seu Renato para seleção das melhores que serão torradas. 

"Desde o início, sempre quis aprender, a produzir um cacau de qualidade para a fabricação de um produto que tão procurado em todo o mundo que é o chocolate.", afirma o produtor de cacau.

E sobre esse assunto, dona Verônica, dá aula. Por meio de cursos de aperfeiçoamento virou chocolatier com reconhecimento: foi eleita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) a empreendedora rural número um do estado do Pará e ficou em segundo lugar no ranking nacional. 

A mini-indústria funciona atrás da casa da família pertinho da lavoura do cacau. Entre os produtos, bombons com castanha do Pará, cumaru e açaí. O nome da marca foi para homenagear a história dos Preuss que tem origem germânica. A ideia foi um presente da filha mais velha, antes de morrer, vítima de um câncer. 

"A gente tinha o hábito de tomar chimarrão no final da tarde. Onde a gente também planejava o que faríamos na propriedade. E aí qual seria a marca do nosso chocolate? Foi quando minha filha perguntou: "Pai, como é que se escreve flor em alemão?", ele respondeu ser "Blumenn", e ela completou, "então está feito, Kakao Blumenn.", relembra Verônica Preuss.

Emocionada ao se recordar de Fernanda, dona Verônica também pontuou que seguir com o projeto é manter a memória dela viva. A caminhada continua com a filha caçula, a Fabiana. Acreditando que agricultura familiar produz bons frutos, e esse, em especial, é dos deuses sendo conhecido como ouro da floresta.

"Talvez o estado do Pará é promissor e privilegiado, talvez produza o melhor cacau do mundo.", finaliza José Renato Preuss.

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Sobre o município
Brasil Novo é um município brasileiro do estado do Pará, pertencente à Mesorregião do Sudoeste Paraense. Com uma área de 6.362,575
km², segundo o IBGE em 2021, sua população estimada era de 14.883 habitantes.
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