Quarta, 27 de Janeiro de 2021 22:36
93 9192-6623
Geral Jovem

Jovem conta como é conviver com HIV

Jovem conta como é conviver com HIV

14/08/2019 04h04 Atualizada há 1 ano
38
Por: confirmanoticia
Jovem conta como é conviver com HIV

Juliano (nome fictício) descobriu o HIV com 23 anos e há 7 anos convive com a doença. Para ele, mais difícil que lidar com o tratamento, foi lidar com o preconceito, e a auto aceitação. “As pessoas ainda acham que ser soro positivo significa morrer de um dia pro outro ou ficar doente o tempo todo”, conta.

A década de 80 ficou marcada com a expansão do vírus no mundo. Naquele

momento, todo tipo de mito e falta de informação sobre o assunto alimentou o

preconceito e gerou um estigma que segue até hoje. E é esta imagem errada sobre

a doença que faz com que muitos interrompam o tratamento ou deixem de buscar o

resultado do exame.

“Muitas vezes a gente vai pra internet e tem um choque. Lembro que procurei a expectativa de vida e na época tinha um texto dizendo pra minha idade a expectativa era de 32 anos e claro, fiquei desesperado.”       

HIV 

O Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) é um tipo de retrovírus que ataca as células do sistema imunológico, responsável pela defesa do corpo contra organismos invasores, como bactérias, fungos e, claro, os vírus.

AIDS

Somente quando o vírus HIV não é tratado a pessoa infectada desenvolve a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), que é provocada pela queda da capacidade de combate do sistema imunológico.

Segundo levantamentos apresentados pelo Ministério da Saúde, o Pará ocupa o segundo lugar com o maior número de mortes causadas pelo vírus do HIV no Brasil. Nos últimos quatorze anos já morreram mais de sete mil pessoas por AIDS. Elas faziam parte do grupo de pacientes que abandonaram o tratamento e obtiveram o diagnóstico tardio. "As pessoas tem ideias erradas. A diferença de HIV e Aids, por exemplo. As pessoas ainda tem pensamento fechado para isso e por isso eu não abro pra qualquer pessoa. As pessoas precisam se informar mais", explica Juliano.   

Jovem, prestes a se casar, e tendo que lidar com o diagnóstico. “O momento foi péssimo. Eu descobri em um laboratório particular e eles não tinham estrutura nenhuma pra esse momento, nenhum preparo psicológico, ao contrário do que acontece no SUS. Ai quando eu peguei no público foi diferente, houve apoio, a psicóloga me entregou o resultado e me encaminhou para o tratamento”, relembra.

No Pará, Entre as maiores taxas no estado, estão oito cidades, incluindo a capital. No perfil epidemiológico nos últimos 44 anos, o estado soma mais de 11 mil casos da doença segundo a secretaria de saúde do estado – Sespa.

De acordo com o estudo, a falta de informação e a falta de prevenção são as principais causas da contaminação da doença. A maior faixa etária das pessoas infectadas em Altamira, por exemplo, é entre 19 a 29 anos.

Para a coordenadora do Centro de Testagem e Acompanhamento de DST/AIDS de Altamira, Marta Reis, um tabu ainda é a vergonha. “Por Altamira ser pequena todo mundo se conhece, e muitas vezes a pessoas tem vergonha de acessar os serviços e isso implica também em abandono de tratamento e outras questões que colocam em risco a saúde de quem vive com HIV, AIDS”, explica a coordenadora.

Juliano ressalta ainda que

ter algum tipo de apoio é importante. “O SUS dá um suporte muito bom. No meu

caso não houve apoio familiar. Eu que tive que dar força para quem estava ao

meu lado. Todo tratamento, até hoje, eu não tive apoio, de irem comigo, de

querer saber mais da doença. Eles ignoraram e tive que seguir sozinho”, revela.

Hoje ser soro positivo é uma

questão tranquila pra ele. “Meu conselho é: não abandone o tratamento. Se

cuide, como todos temos que cuidar da saúde, com uma boa alimentação, com

medicamentos. Não é um bicho de sete cabeças”, declara.

Quando o assunto é

relacionamento Juliano explica que prefere ter cautela. “Depende muito da

pessoa, se eu percebo que pode rolar um futuro eu conto antes de me envolver

mais, para não me frustrar depois. Já aconteceu de contar depois de um mês e a

reação ser péssima, a pessoa terminar, então prefiro dizer logo no início. “

Entre os mitos, está o de

que a pessoa com HIV tem obrigação de contar para os parceiros sobre o vírus e que

não contar seria crime. Na verdade, a pessoa tem direito à privacidade, já que

revelar sua condição pode trazer consequências negativas em termos de

discriminação e perda de emprego, por exemplo. O que é crime é violar a

privacidade da pessoa vivendo com HIV, contando para outros sua condição para

prejudicá-la.

Mitos e verdades

  • O HIV pode ser transmitido por compartilhamento do vaso sanitário.

Mito. O vírus HIV não é transmitido através do

contato com objetos não-perfurantes, como vaso sanitário, assentos de ônibus ou

metrô. Beijo, abraço ou aperto de mão também não transmite o vírus. O HIV pode

ser transmitido pelo sexo, pelo sangue, na gravidez, no parto ou na

amamentação.

  • A camisinha é a única forma de prevenção ao HIV.

Mito. A camisinha é o método mais completo porque

previne o HIV, as outras infecções sexualmente transmissíveis e a gravidez.

Mas, quanto ao HIV, podemos citar outras três formas, a PEP, a PrEP e o

tratamento como prevenção (ver a seguir).

  • Mesmo o teste tendo o resultado negativo, ainda

    pode ser que eu tenha HIV.

Verdade. O teste não consegue acusar a

infecção logo no começo, porque ele detecta os anticorpos que o corpo produz

para se defender da infecção. Esse período inicial que o teste não consegue

detectar é chamado de janela imunológica. Para os exames que usamos geralmente

no SUS, a janela é de cerca de 30 dias. Ou seja, se sua última situação de

risco foi há mais de 30 dias, então você pode confiar que o resultado é

negativo mesmo. Porém, se foi há menos de 30 dias, é preciso que se completem

30 dias para repetir o exame.

  • Fiz sexo sem camisinha ontem e me arrependi, pois

    posso ter entrado em contato com o vírus. Só me resta lamentar e esperar 30

    dias para poder fazer o teste.

Mito. Hoje temos a PEP (profilaxia

pós-exposição). A pessoa que transou sem camisinha e acredita que possa ter

entrado em contato com o vírus pode procurar a PEP, um tratamento preventivo de

urgência que deve ser iniciado em até 72 horas após a relação sexual e que dura

28 dias.

  • A pessoa com HIV sempre transmite o vírus pelo

    sexo.

Mito. O HIV não é transmitido quando a pessoa está

se tratando e com o HIV controlado há pelo menos seis meses – ou seja, tomando

as medicações diariamente e com o exame de controle chamado carga viral (que mede

a quantidade de vírus no sangue) com resultado ‘indetectável’. Isso se chama

“tratamento como prevenção”, e o lema utilizado para comunicar isso é

“indetectável = intransmissível”. Não temos dados para dizer que o mesmo se

aplica à amamentação e continua se recomendando que mulheres com HIV, mesmo

estando indetectáveis, não amamentem.

  • Eu já tentei muito, mas não consigo transar com

    camisinha 100% das vezes e tenho risco de me infectar. Só me resta lamentar e

    esperar o dia em que vou adquirir o HIV.

Mito. Desde o começo de 2018, o SUS oferece uma

saída para essas pessoas. A PrEP (profilaxia pré-exposição), que é um

medicamento diário que protege a pessoa mesmo que ela entre em contato com o

vírus. Para ter a PrEP, a pessoa precisa estar em acompanhamento médico a cada

três meses, fazendo exames periódicos de controle.

  • A pessoa com HIV tem obrigação de contar para os

    parceiros que tem o vírus.

Mito. A pessoa com HIV tem direito à privacidade,

já que revelar sua condição pode trazer consequências negativas em termos de

discriminação e perda de emprego, por exemplo. Violar a privacidade da pessoa

vivendo com HIV, contando para outros sua condição para prejudicá-la, é crime

previsto em lei. É responsabilidade de cada um cuidar da sua prevenção,

independentemente se o outro conta ou não que vive com HIV.

  • É fácil adquirir HIV pelo sexo oral.

Mito. A possibilidade de transmissão do HIV em sexo

oral feito em uma pessoa vivendo com HIV varia entre insignificante a nenhuma,

mesmo quando não se usa camisinha ou a pessoa com HIV está com a carga viral

alta. Nunca se provou uma transmissão por sexo oral. De qualquer forma,

recomenda-se evitar ejaculação na boca.

  • Trabalho de tatuagem e de manicure podem transmitir

    HIV.

Verdade. Devem ser utilizados sempre agulhas

descartáveis, no caso de tatuagens e piercings, assim como nos serviços de

saúde. Para serviços de manicure, é importante o uso de instrumentos próprios

do cliente ou a correta esterilização do material do profissional. Além do HIV,

as medidas previnem a transmissão da hepatite B (para a qual existe vacina em

qualquer posto de saúde) e da hepatite C.

  • Pessoas com HIV podem ter filhos normalmente sem que estes tenham HIV.

Verdade. A mulher vivendo com HIV que se trata e está com a infecção controlada reduz drasticamente a chance de transmitir o vírus para o bebê na gravidez ou no parto. Se a pessoa que tem o HIV é só pai, existem dois métodos preventivos que permitem que a mulher engravide sem adquirir o HIV – o tratamento como prevenção para o pai, combinado ou não ao uso da PrEP (profilaxia pré-exposição) pela mãe. Fonte: Agência Aids.

(Mayara Freire e Natália Silva)

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Altamira - PA
Atualizado às 22h24 - Fonte: Climatempo
26°
Pancada de chuva

Mín. 23° Máx. 30°

28° Sensação
8.5 km/h Vento
79.6% Umidade do ar
90% (15mm) Chance de chuva
Amanhã (28/01)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 23° Máx. 31°

Sol com muitas nuvens e chuva
Sexta (29/01)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 23° Máx. 32°

Sol, pancadas de chuva e trovoadas.