Alunos da UFPA continuam com bloqueio na instituição

Os estudantes da Universidade Federal do Pará, em Altamira, participam de uma manifestação em busca de seus direitos. A solicitação da bolsa emergencial e os editais de financiamento estão entre as pautas reivindicadas.

Segundo o estudante Joelmir Silva, os acadêmicos permanecerão na instituição até serem atendidos. “Não acolheram nossa pauta, não respeitaram e estão desvalorizando um direito que é nosso”, declarou.

Confira a reportagem completa.

 

Secretaria de Meio Ambiente do Pará paralisa atividades dos areeiros em Altamira

É da extração da área e seixo que seu Julcenesio Labre tira o sustento da família.  Mas, a renda que antes era garantida, agora está em risco depois que fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do estado – Semas, paralisaram as atividades dos areeiros no porto da prainha.

De acordo com a classe, a empresa Norte Energia está ajudando nos trâmites do processo para transformar a classe em cooperativa.

Os areeiros explicam que mesmo com os trâmites em andamento, a Semas estava ciente da situação. Cerca de 41 areeiros estão impedidos de poder trabalhar, e temem não conseguir suprir as necessidades básicas.

Em nota, a Norte Energia informou que “está em tratativas com a Associação dos Areeiros do Rio Xingu (Assarrixi) para encaminhar os compromissos assumidos entre as partes.”

Fiscalização 

A operação de fiscalização realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, em parceria com a Polícia Militar do Pará e Corpo de Bombeiros do Pará, foi deflagrada na região do Rio Xingu, em Altamira. Nesta quinta-feira (13), ao completar 10 dias de ações em campo, a operação já contabilizou 11 autos de infração e dois termos de apreensão lavrados em cinco empreendimentos. A maioria dos autos ocorreu por instalação portuária indevida e extração de areia e seixo sem licença ambiental expedida pelo órgão estadual.

Entre os empreendimentos vistoriados durante a operação, uma associação foi interditada por descumprir a legislação ambiental. A fiscal Elineuza Faria explica sobre a ação. “Na hora que chegamos ao local, os responsáveis apresentaram uma liminar da Justiça Federal de 2015 que autoriza a ocupação da área, mas o documento não autoriza a exploração de mineral e instalação de porto sem o licenciamento ambiental”.

 

15 anos após morte da missionária Dorothy, crimes continuam

15 anos depois da morte da missionária americana Dorothy Stang, outros assassinatos foram registrados pelo mesmo motivo: disputa por terra na região.

Pelos corredores da diocese do Xingu caminha Dom Erwin Krautler, australiano, que iniciou em Altamira sua vida eclesiástica. Foi ele quem recebeu a missionária norte-americana Dorothy. Hoje é bispo emérito da igreja em Altamira e lembra como foi a primeira conversa com ela.

“Ela de repente apareceu no balcão, com sotaque americano bem carregado, eu disse, seja bem vinda”, relembra o bispo emérito. A irmã dorothy, como era conhecida, fez um pedido especial ao então bispo do Xingu. ” Ela disse  que queria trabalhar com os mais pobres da prelazia”.

A missionária foi enviada a Anapu, aproximadamente 140 quilômetros de Altamira. Aonde Dorothy começou a luta em defesa da Amazônia, batendo de frente com interesses de madeireiros da região.

Durante o período que viveu na região, a missionária recebeu várias ameaças de morte, até ser executada em 12 de fevereiro de 2015. Outras mortes por conflitos de terra aconteceram após a morte de Dorothy. Pouca coisa mudou na região.

Nos últimos cinco anos foram registradas 19 mortes de trabalhadores rurais somente no município de Anapu. Na maioria dos casos ninguém foi preso ou julgado. Já os envolvidos na morte da missionária, dois fazendeiros, foram a julgamento.

Vitalmiro Bastos de Moura cumpriu parte da pena e foi solto, já Regivaldo Pereira Galvão está preso. “Não mudou muito, o conflito é sempre as visões a respeito da Amazônia.  E o interessante é que quase nenhum dos que mandam matar são punidos”, declara Dom Erwin.

 

Jovens foram os mais atingidos por piora no mercado de trabalho

Os jovens foram a parcela da população que mais perdeu renda no trabalho nos últimos cinco anos e é entre a juventude que estão os maiores índices de desigualdade, de acordo com a pesquisa Juventude e Trabalho do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV) Social. Em entrevista à Agência Brasil, o diretor da FGV Social, Marcelo Neri defende a educação como forma de melhorar esse cenário.

A pesquisa mostra que entre 2014 e 2019, jovens de 15 a 29 anos perderam 14% da renda proveniente do trabalho. Entre os jovens mais pobres, esse percentual chegou a 24% e, entre analfabetos, 51%. “O elemento fundamental um para lidar com essa situação é a educação. Não se pode errar na educação”, diz.

De acordo com a publicação, enquanto outros grupos tradicionalmente excluídos como analfabetos, negros e moradores das regiões Norte e Nordeste apresentam reduções de renda pelos menos duas vezes maior que a da média geral nesse período de crise econômica no Brasil, esta perda foi cinco vezes maior entre jovens de 20 a 24 anos.

O desemprego, segundo Neri, afetou os jovens, mas a precarização do trabalho também. “O desemprego é um componente importante, mas não é o único e não é o maior. O desemprego é alto, mas a perda por precarização, por informalidade e redução de salário é tão grande quanto o desemprego”, diz.

O cenário provoca descrença entre os jovens. Neri diz que 30% dos jovens brasileiros acreditam que não têm perspectiva de ascender socialmente pelo trabalho. Isso colocar o Brasil em 103º lugar em um ranking de 130 países. No Peru, esse percentual é 3%. “As ferramentas do jovem de inserção, que na verdade são as ferramentas de propulsão da economia, educação e trabalho, na visão do jovem esses elementos estão aquém do que eles precisam”, diz Neri.

Descrentes, o percentual dos chamados nem-nem, ou seja, aqueles que não estudam, nem trabalham passou de 23,4% em 2014 para 26,2% 2019. Entre os jovens que são chefes de família, esse percentual cresceu de 15,19% para 22,67% no período. Entre mulheres, passou de 27,84% para 30,25%.

“O jovem tem que acreditar que é possível subir na vida senão para que vai estudar e trabalhar para sobrevivência?”, diz o diretor. “[A situação dos Nem-Nem] é um vácuo que foi formado e precisa ser ocupado com coisas positivas e concretas. O jovem tem que conseguir vislumbrar isso, o que não está conseguindo com a situação atual”.

De acordo com Neri, uma educação mais voltada para a realidade do jovem, ensino técnico para capacitar para o mercado e melhorias no ambiente de trabalho são fatores que podem contribuir para melhorar o cenário. O estudo está disponível na internet.

(Agência Brasil)

Governo do Pará empossa mais 581 agentes prisionais concursados

Quase 600 agentes prisionais aprovados no concurso C-199/2 da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) foram empossados nesta quarta-feira (12), no Hangar Centro de Convenções da Amazônia.

De acordo com o governador, a posse é mais um passo para o fortalecimento segurança pública. Ele também anunciou um próximo concurso na área.

“Nós estamos a cada instante fortalecendo a estratégia de segurança pública nas ruas, como também que o Estado esteja no absoluto controle das casas penitenciárias, para que nelas seja feito o cumprimento da decisão da justiça com os direitos assegurados aos custodiados, mas sem que elas estejam sob o domínio do crime. É por isso que nós estamos entregando novas vagas, garantindo a ampliação do sistema carcerário do nosso Estado e ao mesmo tempo melhorando a qualidade dos nossos servidores, prestigiando os servidores efetivos, fazendo com que estes estejam comprometidos em bem servir a sociedade paraense”, afirmou Helder.

O secretário de Administração Penitenciária, Jarbas Vasconcelos, reforçou a importância dos novos servidores para a continuidade da transformação no sistema, que por muito tempo foi dominado pelo crime organizado. “Nós só tínhamos 18 servidores concursados e em pouco mais de um ano de gestão, temos 1.452 efetivos. Estamos tranquilos e confiantes de que eles vão tomar conta das nossas unidades prisionais, fazendo avançar o controle do Estado sobre o sistema para promover também trabalho, saúde, educação e reinclusão social para cada apenado, para que volte para a sociedade na sua plenitude como cidadão ou cidadã”, afirmou o secretário.

André Albuquerque ficou com a voz embargada. “Primeiramente, eu gostaria de agradecer a Deus pela oportunidade. Eu chego até a ficar emocionado e gostaria de agradecer também ao Governo do Estado do Pará, que com muita honra e hombridade, convocou os excedentes. Na nossa condição de excedente, é um dia muito importante para nossa vida, tomar posse no curso belíssimo. O Governo do Estado do Pará vem fazendo uma transformação dentro do cárcere no Estado”, enfatizou André. “O governo se faz presente e eu falo disso porque eu acompanho não só aqui, mas na questão educacional do Estado, com concurso. Ele está valorizando o servidor público”, complementou André.

Pablo Gustavo Silva conta que sonhava em fazer parte da segurança pública desde criança. “Hoje pra mim é um sonho realizado. Minha irmã e a minha esposa foram as que mais me apoiaram em toda essa trajetória”, afirmou. A esposa dele, Brenda Silva, estava ao lado mais uma vez na cerimônia. “Está sendo um momento ótimo pra mim, graças a Deus conseguimos depois de muitas lutas é só emoção hoje, eu tenho só agradecer a Deus, em primeiro lugar”, frisou Brenda.]

As disciplinas foram divididas em três eixos: Introdutório, Intermediário e Avançado. “Passamos momentos em que tivemos que nos empenhar muito, algumas dificuldades. É um curso relativamente puxado, mas nós tivemos determinação, empenho e conseguimos chegar até aqui. Então todos nós, com certeza, estamos muito felizes e realizados. A nossa expectativa como servidor, é de querer contribuir muito para o Estado, para o sistema prisional que vem passando por muitas transformações positivas. Nós queremos realmente somar e contribuir para a segurança tanto do sistema como da sociedade”, afirmou Ana Mata.

Os agentes prisionais serão distribuídos por todas as regiões do estado. “Foram dois anos de luta, realmente muito trabalho, uma disputa muito grande, muita gente do interior tentando entrar no Estado, pelo concurso. Hoje estar aqui, a gente não acha palavra para dizer a emoção de estar aqui na frente hoje assumindo esse cargo dentro do Estado. É muito gratificante pra gente poder fazer parte da segurança pública do Estado do Pará”, atestou Sérgio Henrique Parente.

Homenagem

Durante o evento, o governador do estado, Helder Barbalho e o vice-governador, Lúcio Vale, homenagearam o estudante Manoel Santos, com um notebook. “Emocionante receber esse presente das mãos do governador. Foi inesperado, eu estava voando, flutuando porque tem um público gigante, todo mundo me aplaudindo. É indescritível. Eu sou prolixo, mas estão me faltando palavras para descrever”, falou Manoel. O jovem de 19 anos acredita que a ascensão social é possível por meio da educação. Conciliando o trabalho em uma feira com os estudos, ele conseguiu passar em quatro instituições para o curso de Letras: na Universidade de Campinas; Universidade de São Paulo; Universidade Federal do Pará e Universidade do Estado do Pará, conquistando a primeira colocação nas três últimas.

“Passei por escolas públicas e eu trago isso comigo e sempre fui apaixonado por leitura, então isso facilitou nos momentos de estudos. Eu trouxe uma boa base, apesar de vir de escola pública. No último ano, eu batalhei, consegui uma bolsa integral no Cursinho  Popular e, ao passo de que eu fazia também o ensino médio e técnico no IFPA (Instituto Federal do Pará), consegui esse resultado”, lembrou Manoel, que durante a homenagem no Hangar estava acompanhado da sua mãe, Maria Clei Santos.

(Agência Pará)